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A ansiedade é um tóxico


Com certeza você começou a ler esse texto, ansioso para chegar ao fim, porque tem outras coisas mais para fazer no seu dia.
Você está ansioso para sair de onde está agora: trabalhando fora, está ansioso para chegar em casa; se está em casa, está ansioso para sair. Sempre querendo e esperando estar em outro lugar; ansioso para chegar a noite, ansioso para terminar a semana, ansioso para chegar o natal, ansioso para terminar o ano, ansioso para a chuva passar, ansioso para que chova…
Com ansiedade você não vive, apenas TRANSFERE o viver.
Você se sente sempre além de cada momento, está desvalorizando o momento presente, está sempre em outro lugar, nunca está presente, nunca contempla o seu agora. O seu agora não basta, não te dá prazer e bem-estar. Ironicamente, podemos dizer que a única coisa que temos é justamente o nosso agora e está sendo desperdiçado.
E mais grave que esse sentimento angustiante, é estar à beira de um colapso: insônia, falta de ar, sensações de sufocamento, dor gástrica, sudorese, desespero, fobias, pânico.
A ansiedade é um mecanismo psicológico que quer evitar um problema, é uma desarmonia, uma insegurança e uma eterna insatisfação. É uma característica habitual contemporânea, deflui de constantes “ameaças” contra o ser e o grupo: disputa por cargos, competições em toda as áreas da vida, prepotência dos governos, anúncios sobre doenças devastadoras, danos na natureza, tragédias iminentes, estatísticas de crimes e violências, chefes arbitrários, diminuição de recursos, compressão de gastos, medos e mais medos despejados diariamente sobre nós, os “ameaçados”, dentro de uma sociedade eticamente egoísta, com excesso de informação e tecnologia, cultura desnaturada e materialismo cínico que promete solucionar problemas humanos, como que se pretendesse reparar desajustes em máquinas, correria para lugar nenhum, posse de coisas mortas, coisas que não minimizam a solidão, a saudade, não evitam a dor nem a doença…

"A preocupação de parecer triunfador, de responder de forma semelhante ou melhor que os demais, de ser bem recebido e considerado é responsável pela desumanização do indivíduo, que se torna um elemento complementar no grupamento social, sem identidade, nem individualidade…”*
Ser ansioso desgasta a si mesmo e desgasta aqueles que convivem com ele.
Mais do que nunca somos convidados ao único caminho real da cura da ansiedade: o autodescobrimento, autodesenvolvimento, orientação para a experiência do momento presente, contato consigo mesmo, aplicação e uso do tempo para a conquista de recursos verdadeiros e eternos, busca por valores pessoais, aqueles que propiciam a paz, a tranquilidade, a segurança. Na certeza de que nenhum sentimento desequilibrado irá mudar o ritmo, a sequência dos fatos e o percurso natural das coisas da vida. Meditar, buscar estar presente, aproveitar o hoje, contemplar, buscar exercícios mentais facilitam o desenvolvimento do potencial que todo ser possui: paciência, serenidade e bem-estar.
 

Exercícios simples para a busca da serenidade:

Respirar: Apenas respire, sinta o ar entrando nas narinas, preenchendo seu abdome; imagine um balão enchendo e soltando o ar vai esvaziando (liberando). Faça isso bem devagar. Ao tentar acalmar a mente não se desespere com o fluxo de pensamentos, atente-se às sensações da respiração.

Contemplar: Se estiver comendo, aprecie a comida, suas formas, sabores, atente as sensações, aprecie elas. Sinta-se realizado ao ato de comer, observe e sinta apenas. Esteja só ou acompanhado, no parque, andando na cidade, praticando seu esporte ou hobby, na estrada, na janela, olhe, contemple tudo, admire, esteja lá, veja as coisas que estão presentes.

Desenhar, pintar, criar: realize trabalhos que te tome toda a atenção ao momento presente, concentre-se nele. Trabalhos simples reeducam a mente. Use as cores azul e verde que estimulam a tranquilidade e o bem-estar do corpo.

Informar: Busque assuntos e conhecimentos que lhe agregam coisas boas. Fuja dos noticiários, busque as informações que lhe interessam realmente, e se afaste de reclamações, tragédias, fofocas.

 

Mudar as situações: Provoque mudança nas coisas que não gosta, que incomodam, mude o jeito de olhar. Se não consegue lidar com o trânsito, por exemplo, prepare áudios ou mesmo vídeos, de palestras, cursos que quer conhecer, e que vão lhe agregar, e daí esse tempo pesado de trânsito, torna-se um tempo útil e prazeroso.


Vestir: Se vista com um sorriso, mesmo que não esteja muito à vontade com isso, mas são pequenas atitudes que estimulam o corpo ao ânimo e força para caminhar.


E abrace, sempre que puder, acalma a alma e conforta o momento. *O Homen Integral, Joanna de Angelis